25 abril 2013

25 de Abril de 1974 | Uma canção




GRÂNDOLA, VILA MORENA

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade


[Canção: Grândola, Vila Morena, José Afonso, 1929-1987 | Gravação em concerto: 29 de Janeiro de 1983, Coliseu de Lisboa | >>>  e  >>> ]



25 de Abril de 1974 | Uma fotografia e um poema





SALGUEIRO MAIA

Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse



[Fotografia: Salgueiro Maia, Largo do Carmo, 25 de Abril de 1974  >>> , Alfredo Cunha >>> , 1953- | Poema: Salgueiro Maia, Sophia de Mello Breyner Andresen, 1919-2004]


25 de Abril de 1974 | Um cartaz e dois poemas





25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo




REVOLUÇÃO

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interior de um povo

Como página em branco
Onde o poema emerge

Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação



[Cartaz: A poesia está na rua : XXV de Abril de 1974, Maria Helena Vieira da Silva, 1908-1992 | Poemas: 25 de Abril e Revolução, Sophia de Mello Breyner Andresen, 1919-2004]