25 abril 2013

25 de Abril de 1974 | Um cartaz e dois poemas





25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo




REVOLUÇÃO

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interior de um povo

Como página em branco
Onde o poema emerge

Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação



[Cartaz: A poesia está na rua : XXV de Abril de 1974, Maria Helena Vieira da Silva, 1908-1992 | Poemas: 25 de Abril e Revolução, Sophia de Mello Breyner Andresen, 1919-2004]


22 abril 2013

23 de Abril | Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor #2



23 de Abril | Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor 2013 | Excerto da mensagem de Irina Bokova, Directora-Geral da UNESCO [versões integrais - em língua inglesa >>> ; em língua francesa >>> ; em língua espanhola >>> ]

«A UNESCO celebra o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor há dezassete anos.
Os Estados membros da UNESCO celebram em todo o mundo o poder que os livros têm de unir as pessoas e de transmitir a cultura dos povos e seus sonhos de um futuro melhor.
Este dia é a oportunidade para se pensar a melhor maneira de divulgar a cultura escrita e de permitir que todas as pessoas, homens, mulheres e crianças, tenham acesso a ela graças à aprendizagem da leitura e ao apoio às profissões ligadas à edição e às livrarias, bibliotecas e escolas. Os livros são nossos aliados na difusão da educação, da ciência, da cultura e da informação em todo o mundo.
[…]
Este dia também nos deve incitar a reflectir sobre as mutações do livro ao longo do tempo e os valores intangíveis que nos devem guiar. O livro digital abre novas oportunidades de acesso ao conhecimento pois tem um custo reduzido e é capaz de cobrir vastos territórios. O livro tradicional continua a ser uma tecnologia poderosa: não avaria, é portátil e continua a resistir à prova do tempo. Cada livro, independentemente do seu formato ou suporte, é um precioso contributo para a educação e para a divulgação da cultura e da informação. A diversidade de livros e de conteúdos é uma fonte de enriquecimento que devemos apoiar com políticas públicas adequadas e proteger da uniformização cultural. Esta bibliodiversidade é a nossa riqueza comum e faz de cada livro muito mais do que um simples objecto material: torna-o na mais bela invenção da Humanidade para partilhar ideias para além das fronteiras do espaço e do tempo.»

[Fotografia: «Biblioteca Budista», Harald Weinländer, 1998 | UNESCO, ID: 30201654  >>> ]



23 de Abril | Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor #1





Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor 2013 | Cartaz oficial da DGLAB [Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas] >>> | Nota informativa extraída do sítio web da DGLB - «O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de Abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo. [...] Este ano, a imagem da DGLAB é da autoria de Gémeo Luís, ilustrador premiado e internacionalmente conhecido.»   >>>  e  >>>


18 abril 2013

Lusitânia no Bairro Latino | António Nobre



2

Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das naus, de esquadras e de frotas!

Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera de maré,
Que não tarda aí, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-a com toda a forca,
Clamam todas à uma: «Agôra! agôra! agôra!»
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar…)
Que vista admirável! Que lindo! que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento e todas, à porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:

Senhora Nagonia!

Olha, acolá!
Que linda vai com seu erro de ortografia…
Quem me dera ir lá!

Senhora Daguarda!

(Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda
O caçador!

Senhora d'ajuda!
Ora pro nobis!
Caluda!
Semos probes!
Senhor dos ramos
Istrella do mar!
Cá bamos.

Parecem Nossa Senhora, a andar.

Senhora da Luz!

Parece o Farol…

Maim de Jesus!

É tal-qual ela, se lhe dá o Sol!

Senhor dos Passos!
Sinhora da Ora!

Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços
Parecem ermidas caiadas por fora…

Senhor dos Navegantes!
Senhor de Matuzinhos!

Os mestres ainda são os mesmos d’antes:
Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,
A mailos quatro filhinhos,
Vascos da Gama, que andam a ensaiar…

Senhora dos aflitos!
Martyr São Sebastião!
Ouvi os nossos gritos!
Deus nos leve pela mão!
Bamos em paz!

Ó lanchas, Deus vos leve pela mão!
Ide em paz!
Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados,
O Jeques, o Pardal, na Nam te perdes,
E das vagas, aos ritmos cadenciados,
As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes,
«As armas e os varões assinalados…»

Lá sai a derradeira!
Ainda agarra as que vão na dianteira…
Como ela corre! com que força o Vento a impele:

Bamos com Deus!
Lanchas, ide com Deus! ide e voltai com Ele
Por esse mar de Cristo…

Adeus! adeus! adeus!