18 abril 2013

Lusitânia no Bairro Latino | António Nobre



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Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das naus, de esquadras e de frotas!

Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera de maré,
Que não tarda aí, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-a com toda a forca,
Clamam todas à uma: «Agôra! agôra! agôra!»
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar…)
Que vista admirável! Que lindo! que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento e todas, à porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:

Senhora Nagonia!

Olha, acolá!
Que linda vai com seu erro de ortografia…
Quem me dera ir lá!

Senhora Daguarda!

(Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda
O caçador!

Senhora d'ajuda!
Ora pro nobis!
Caluda!
Semos probes!
Senhor dos ramos
Istrella do mar!
Cá bamos.

Parecem Nossa Senhora, a andar.

Senhora da Luz!

Parece o Farol…

Maim de Jesus!

É tal-qual ela, se lhe dá o Sol!

Senhor dos Passos!
Sinhora da Ora!

Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços
Parecem ermidas caiadas por fora…

Senhor dos Navegantes!
Senhor de Matuzinhos!

Os mestres ainda são os mesmos d’antes:
Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,
A mailos quatro filhinhos,
Vascos da Gama, que andam a ensaiar…

Senhora dos aflitos!
Martyr São Sebastião!
Ouvi os nossos gritos!
Deus nos leve pela mão!
Bamos em paz!

Ó lanchas, Deus vos leve pela mão!
Ide em paz!
Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados,
O Jeques, o Pardal, na Nam te perdes,
E das vagas, aos ritmos cadenciados,
As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes,
«As armas e os varões assinalados…»

Lá sai a derradeira!
Ainda agarra as que vão na dianteira…
Como ela corre! com que força o Vento a impele:

Bamos com Deus!
Lanchas, ide com Deus! ide e voltai com Ele
Por esse mar de Cristo…

Adeus! adeus! adeus!


Leituras | Alberto Caeiro, [Ao entardecer, debruçado pela janela,]



Leituras | Alberto Caeiro, [Ao entardecer, debruçado pela janela,] | Lê Abílio Santos

Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem  olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada  por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...





11 abril 2013

Os Navegadores | Sophia de Mello Breyner Andresen




Eles habitam entre um mastro e o vento.

Têm as mãos brancas de sal
E os ombros vermelhos de sol.

Os espantados peixes se aproximam
Com olhos de gelatina.

O mar manda florir seus roseirais de espuma.

No oceano infinito
Estão detidos num barco
E o barco tem um destino
Que os astros altos indicam.



08 abril 2013

Indaqua | Água limpa para beber dá saúde e faz crescer

«Água limpa para beber dá saúde e faz crescer» | Sessão de carácter científico, pedagógico e lúdico, promovida pela Indaqua | Esta manhã na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira



05 abril 2013

Concurso | Contra o Racismo


Assinalando o Dia Internacional de Luta pela Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial (instituído pelas Nações Unidas) e aliando esta data ao Dia Mundial da Poesia, o ACIDI - Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, através da CICDR - Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, decidiu instituir a realização de um Concurso de Poesia / Conto Contra o Racismo, com o objetivo de promover a poesia / conto enquanto veículos de combate ao racismo |  Todas as informações em www.cicdr.pt

Blogues adentro | «O Jardim Assombrado»



O Jardim Assombrado | Autora: Carla Maia de Almeida | >>>


04 abril 2013

Mar | Sophia de Mello Breyner Andresen


De novo o som o ressoar o mar
De novo o embalo do tumulto mais antigo
E a inteireza do instante primitivo

De novo o canto o murmurar o mar
Que se repete intacto e sacral
De novo o limpo e nu clamor primordial


02 abril 2013

2 de Abril | Dia Internacional do Livro Infantil #2


Bookjoy Around the World | Cartaz do Dia Internacional do Livro Infantil 2013  >>> | Autor - Ashley Bryan [E.U.A.] >>> | IBBY [International Board on Books for Young People] >>>




Bookjoy Around the World

We can read, you and I.
See letters become words,
and words become books
we hold in our hands.

We hear whispers
and roaring rivers in the pages,
bears singing
funny tunes to the moon.

We enter spooky gray castles,
and in our hands flowering trees climb
to the clouds. Bold girls fly;
boys fish for sparkling stars.

You and I read, round and round,
bookjoy around the world.



Alegria dos livros à volta do mundo

Lemos juntos, tu e eu.
Vemos letras tornarem-se palavras
e palavras tornarem-se livros
que seguramos entre as mãos.

Ouvimos murmúrios
e rios que rugem nas suas páginas,
ursos que cantam
graciosas melodias à lua.

Penetramos em cinzentos castelos assombrados
e nas nossas mãos crescem até às nuvens árvores em flor.
Raparigas destemidas voam;
rapazes tentam pescar estrelas cintilantes.

E tu e eu lemos, dando voltas e mais voltas,
alegria dos livros à volta do mundo.


Bookjoy Around the World = Alegria dos livros à volta do mundo| Poema-mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil 2013 | Autora - Pat Mora [E.U.A.] >>> | Versão portuguesa adaptada a partir da tradução de Maria Carlos Loureiro >>> | IBBY [International Board on Books for Young People]