14 março 2013

Blogues adentro | «Dias com árvores»


Dias com árvores | Autores: Paulo Ventura Araújo, Maria Pires de Carvalho | >>>


Semana da Leitura | Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira


Semana da Leitura, 11 - 15 Março de 2013 | Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira - Junqueira, Vila do Conde




Romance de Vila do Conde | José Régio



[…]
Vila do Conde espraiada
Entre pinhais, rio e mar!
— Lembra-me Vila do Conde,
Mais nada posso lembrar.

Bom cheirinho dos pinheiros…,
Sei de um que quase te vale:
É o cheiro da maresia,
— Sargaços, névoas e sal —
A que cheira toda a vila
Nas manhãs de temporal.
Ai mar de Vila do Conde,
Ai mar dos mares, meu mar!,
Se me não vens cá buscar,
Nenhum remédio me vale,
Nenhum remédio me vale,
Nem chega a remediar…

Abria, de manhãzinha,
As vidraças par em par.
Entrava o mar no meu quarto
Só pelo cheiro do ar.
Ia à praia, e via a espuma
Rolando pelo areal,
Espuma verde e amarela
Da noite de temporal!
Empurrada pelo vento,
Que em sonhos ouço ventar,
Ia à praia e via a espuma
Pelo areal a rolar…

Espuma verde e amarela
Das noites de temporal,
Quem te viu como eu te via,
Se te pudera olvidar!
E ai não me posso curar,
Nenhum remédio me vale,
Se te não tenho nos braços,
Se te não posso beijar…

Vila do Conde espraiada
Entre pinhais, rio e mar…
— Lembra-me Vila do Conde,
Passo a tarde a divagar…
[…]



12 março 2013

11M | 9.º aniversário dos atentados de Atocha [Madrid, Espanha]




La Oreja de Van Gogh | Jueves


Si fuera más guapa y un poco más lista
Si fuera especial, si fuera de revista
Tendría el valor de cruzar el vagón
Y preguntarte quién eres.

Te sientas en frente y ni te imaginas
Que llevo por ti mi falta más bonita.
Y al verte lanzar un bostezo al cristal
Se inundan mis pupilas.

De pronto me miras, te miro y suspiras
Yo cierro los ojos, tú apartas la vista
Apenas respiro me hago pequeñita
Y me pongo a temblar

Y así pasan los días, de lunes a viernes
Como las golondrinas del poema de Bécquer
De estación a estación enfrente tú y yo
Va y viene el silencio.

De pronto me miras, te miro y suspiras
Yo cierro los ojos, tú apartas la vista
Apenas respiro, me hago pequeñita
Y me pongo a temblar.

Y entonces ocurre, despiertan mis labios
Pronuncian tu nombre tartamudeando.
Supongo que piensas que chica más tonta
Y me quiero morir.

Pero el tiempo se para y te acercas diciendo
Yo no te conozco y ya te echaba de menos.
Cada mañana rechazo el directo
Y elijo este tren.

Y ya estamos llegando, mi vida ha cambiado
Un día especial este once de marzo.
Me tomas la mano, llegamos a un túnel
Que apaga la luz.

Te encuentro la cara, gracias a mis manos.
Me vuelvo valiente y te beso en los labios.
Dices que me quieres y yo te regalo
El último soplo de mi corazón.


07 março 2013

Semana da Leitura | Maresia


Maresia : brevíssima antologia do mar em poesia e em prosa | Semana da Leitura 2013 | Uma co-produção da Biblioteca Escolar / Centro de Recursos Educativos, do Departamento Curricular de Línguas e do Departamento Curricular de Expressões da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira para a Semana da Leitura, 11 – 15 de Março de 2013

Mar Português | Fernando Pessoa

Ilustrações de Tânia Meira [n.º 23 - 8.º B], Inês Válega [n.º 9 - 8.º B] e Telma Costa [n.º 1 - 8.º A]



Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Lusitânia | Sophia de Mello Breyner Andresen



Os que avançam de frente para o mar 
E nele enterram como aguda faca
A proa negra dos seus barcos 
Vivem de pouco pão e de luar. 

28 fevereiro 2013

Leituras | Máximo Gorki, A Mãe



Leituras | A Mãe, Máximo Gorki | Lê Abílio Santos

Uma noite, após o jantar, depois de correr as cortinas das janelas, Pavel sentou-se num canto e pôs-se a ler, com o candeeiro de petróleo suspenso na parede, por cima da cabeça. A mãe, depois de lavar a louça, saiu da cozinha e aproximou-se com o passo hesitante. Ele levantou a cabeça e olhou-a com ar de interrogação. 
- Não é nada, Pavel... Sou eu - disse ela - e afastou-se vivamente, com a testa enrugada e um ar de confusão. Ficou um momento imóvel, no meio da cozinha, pensativa, preocupada; lavou as mãos cuidadosamente e voltou para junto do filho.
- Queria-te perguntar - disse, baixinho - o que é que estás sempre a ler?
Ele pousou o livro.
- Senta-te, mãe.
Sentou-se pesadamente ao lado dele e endireitou-se, atenta a qualquer coisa de grave. Em voz baixa, sem a olhar, adoptando, não se sabe porquê, um tom rude, Pavel começou a falar.
- Leio livros proibidos. Proíbem de os ler, porque dizem a verdade sobre a nossa vida de operários... São impressos clandestinamente, e se os encontrarem cá em casa metem-me na prisão... na prisão por eu querer saber a verdade. Estás a compreender?
Ela sentiu subitamente dificuldade em respirar e fixou no filho um olhar espantado. Pareceu-lhe mudado, estranho. Tinha uma voz diferente, mais baixa e mais cheia, mais sonora. Torcia, com os dedos afilados, o pêlo fino dos bigodes de adolescente, e o olhar estranho, sob as pestanas, perdia-se no vago. O medo e a inquietação pelo filho penetraram-na.
- Porque fazes isso, Pavel? - murmurou.  
Ele ergueu a cabeça, olhou-a rapidamente, e sem levantar a voz, tranquilamente, respondeu:
- Quero saber a verdade. 

Atlântico | Sophia de Mello Breyner Andresen



Mar, 
Metade da minha alma é feita de maresia.