Bibliotecas Escolares | Agrupamento de Escolas Dr. Carlos Pinto Ferreira | Junqueira, Vila do Conde
14 março 2013
Semana da Leitura | Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira
Semana da Leitura, 11 - 15 Março de
2013 | Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira - Junqueira,
Vila do Conde
Romance de Vila do Conde | José Régio
[…]
Vila do Conde espraiada
Entre pinhais, rio e mar!
— Lembra-me Vila do Conde,
Mais nada posso lembrar.
Bom cheirinho dos pinheiros…,
Sei de um que quase te vale:
É o cheiro da maresia,
— Sargaços, névoas e sal —
A que cheira toda a vila
Nas manhãs de temporal.
Ai mar de Vila do Conde,
Ai mar dos mares, meu mar!,
Se me não vens cá buscar,
Nenhum remédio me vale,
Nenhum remédio me vale,
Nem chega a remediar…
Abria, de manhãzinha,
As vidraças par em par.
Entrava o mar no meu quarto
Só pelo cheiro do ar.
Ia à praia, e via a espuma
Rolando pelo areal,
Espuma verde e amarela
Da noite de temporal!
Empurrada pelo vento,
Que em sonhos ouço ventar,
Ia à praia e via a espuma
Pelo areal a rolar…
Espuma verde e amarela
Das noites de temporal,
Quem te viu como eu te via,
Se te pudera olvidar!
E ai não me posso curar,
Nenhum remédio me vale,
Se te não tenho nos braços,
Se te não posso beijar…
Vila do Conde espraiada
Entre pinhais, rio e mar…
— Lembra-me Vila do Conde,
Passo a tarde a divagar…
[…]
12 março 2013
11M | 9.º aniversário dos atentados de Atocha [Madrid, Espanha]
Si
fuera más guapa y un poco más lista
Si
fuera especial, si fuera de revista
Tendría
el valor de cruzar el vagón
Y
preguntarte quién eres.
Te
sientas en frente y ni te imaginas
Que
llevo por ti mi falta más bonita.
Y
al verte lanzar un bostezo al cristal
Se
inundan mis pupilas.
De
pronto me miras, te miro y suspiras
Yo
cierro los ojos, tú apartas la vista
Apenas
respiro me hago pequeñita
Y
me pongo a temblar
Y
así pasan los días, de lunes a viernes
Como
las golondrinas del poema de Bécquer
De
estación a estación enfrente tú y yo
Va
y viene el silencio.
De
pronto me miras, te miro y suspiras
Yo
cierro los ojos, tú apartas la vista
Apenas
respiro, me hago pequeñita
Y
me pongo a temblar.
Y
entonces ocurre, despiertan mis labios
Pronuncian
tu nombre tartamudeando.
Supongo
que piensas que chica más tonta
Y
me quiero morir.
Pero
el tiempo se para y te acercas diciendo
Yo
no te conozco y ya te echaba de menos.
Cada
mañana rechazo el directo
Y
elijo este tren.
Y
ya estamos llegando, mi vida ha cambiado
Un
día especial este once de marzo.
Me
tomas la mano, llegamos a un túnel
Que
apaga la luz.
Te
encuentro la cara, gracias a mis manos.
Me
vuelvo valiente y te beso en los labios.
Dices
que me quieres y yo te regalo
El último soplo de mi corazón.
09 março 2013
Semana da Leitura | Rede Concelhia de Bibliotecas de Vila do Conde
Cartaz da Semana da Leitura | Rede Concelhia de Bibliotecas de Vila do Conde | 11-15 de Março de 2013
07 março 2013
Semana da Leitura | Maresia
Maresia : brevíssima antologia do mar
em poesia e em prosa | Semana da Leitura 2013 | Uma co-produção da Biblioteca
Escolar / Centro de Recursos Educativos, do Departamento Curricular de Línguas e
do Departamento Curricular de Expressões da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos
Dr Carlos Pinto Ferreira para a Semana da Leitura, 11 – 15 de Março de 2013
Mar Português | Fernando Pessoa
Ilustrações de Tânia Meira [n.º 23 - 8.º B], Inês Válega [n.º 9 - 8.º B] e Telma
Costa [n.º 1 - 8.º A]
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Lusitânia | Sophia de Mello Breyner Andresen
Os que avançam
de frente para o mar
E nele enterram como aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar.
28 fevereiro 2013
Leituras | Máximo Gorki, A Mãe
Leituras | A Mãe, Máximo Gorki | Lê Abílio Santos
Uma noite, após o jantar, depois de correr as cortinas das janelas, Pavel sentou-se num canto e pôs-se a ler, com o candeeiro de petróleo suspenso na parede, por cima da cabeça. A mãe, depois de lavar a louça, saiu da cozinha e aproximou-se com o passo hesitante. Ele levantou a cabeça e olhou-a com ar de interrogação.
- Não é nada, Pavel... Sou eu - disse ela - e afastou-se vivamente, com a testa enrugada e um ar de confusão. Ficou um momento imóvel, no meio da cozinha, pensativa, preocupada; lavou as mãos cuidadosamente e voltou para junto do filho.
- Queria-te perguntar - disse, baixinho - o que é que estás sempre a ler?
Ele pousou o livro.
- Senta-te, mãe.
Sentou-se pesadamente ao lado dele e endireitou-se, atenta a qualquer coisa de grave. Em voz baixa, sem a olhar, adoptando, não se sabe porquê, um tom rude, Pavel começou a falar.
- Leio livros proibidos. Proíbem de os ler, porque dizem a verdade sobre a nossa vida de operários... São impressos clandestinamente, e se os encontrarem cá em casa metem-me na prisão... na prisão por eu querer saber a verdade. Estás a compreender?
Ela sentiu subitamente dificuldade em respirar e fixou no filho um olhar espantado. Pareceu-lhe mudado, estranho. Tinha uma voz diferente, mais baixa e mais cheia, mais sonora. Torcia, com os dedos afilados, o pêlo fino dos bigodes de adolescente, e o olhar estranho, sob as pestanas, perdia-se no vago. O medo e a inquietação pelo filho penetraram-na.
- Porque fazes isso, Pavel? - murmurou.
Ele ergueu a cabeça, olhou-a rapidamente, e sem levantar a voz, tranquilamente, respondeu:
- Quero saber a verdade.
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