14 fevereiro 2013

Todas as cartas de amor são ridículas | Álvaro de Campos



Todas as cartas de amor são 
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são 
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje 
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

Ai ondas que eu vim veer | Martim Codax




Ai ondas que eu vim veer,
se me saberedes dizer
por que tarda meu amigo sem mim?

Ai ondas que eu vim mirar,
se me saberedes contar
por que tarda meu amigo sem mim?


08 fevereiro 2013

Máscaras de Carnaval #2 | AVEJ

Máscaras de Carnaval #2 | Disciplina de Educação Visual e Tecnológica, turmas dos 5.º e 6.º anos da professora Paula Teixeira | Escola EB 2,3 Dr Carlos Pinto Ferreira - Junqueira, Vila do Conde

Máscaras de Carnaval #1 | AVEJ


Máscaras de Carnaval #1 | Disciplina de Educação Visual e Tecnológica, turmas dos 5.º e 6.º anos do professor Fernando Magalhães | Escola EB 2,3 Dr Carlos Pinto Ferreira - Junqueira, Vila do Conde




07 fevereiro 2013

Mopsos, o pequeno Grego: O Ouro de Delfos | Hélia Correia


[…]
Mopsos habituara-se a ouvir as histórias do mar, as suas cóleras e a sua bondade. Informado pelos versos dos aedos, ele construía a sua própria ideia. Imaginava uma extensão roxa e sombria onde os cavalos de Poseídon galopavam. Era muito famosa a descrição das ondas como crinas quando a muita velocidade arrancava dos seus dorsos uma espécie de branca cabeleira. […]
Mas, afinal, o mar não tinha a aparência que Mopsos concebera nos serões do solar. O dos poemas, era como a mãe, escuro e fascinante. «Cor de vinho», cantavam os aedos, e habitado por uns seres alados que davam pelo nome de sereias e chamavam os homens para a morte.
O mar real, aquele mar de Delfos que Mopsos avistava para além do manto de árvores que cobria a longa encosta de tons de verde, esse emitia claridade. O seu azul podia ser usado para pintar as túnicas dos deuses. A sua superfície parecia um outro céu, ainda mais brilhante que o brilhante céu grego. Mas o facto de se achar perto dos pequenos seres mortais conferia-lhe uma espécie de doçura e ele acenava como se se enternecesse, com minúsculas ondas cuja espuma brilhava como um cinto de diamantes. Aqui e além, um barco balouçava, numa quietude de criança ao colo. «Este é então o mar?», perguntou Mopsos. E, ao ver como Íris lhe sorria, pressentia que havia entre ela e as águas qualquer coisa, que o azul circulava sem parar entre os seus olhos e o fundo da paisagem. […]