17 janeiro 2013

O céu, a terra, o vento sossegado… | Luís Vaz de Camões




O céu, a terra, o vento sossegado…
As ondas, que se estendem pela areia…
Os peixes, que no mar o sono enfreia…
O nocturno silêncio repousado…

O pescador Aónio, que, deitado
onde co vento a água se meneia,
chorando, o nome amado em vão nomeia,
que não pode ser mais que nomeado:

— Ondas (dezia), antes que amor me mate
torna-me a minha Ninfa, que tão cedo
me fizestes à morte estar sujeita.

Ninguém lhe fala; o mar de longe bate,
move-se brandamente o arvoredo;
leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.


Diferencias sobre las Folías | Antonio Martín y Coll




Antonio Martín y Coll [ca. 1680 - 1734] | Diferencias sobre las Folías | Intérpretes : Jordi Savall - viola de gamba ; Rolf Lislevand - guitarra barroca ; Arianna Savall - harpa ; Pedro Estevan - pandeireta ; Adela González-Campa - castanholas | Local e data de gravação : Igreja de Plouaret [Côtes d'Armor, Bretanha, França], 13 de Outubro de 2002 , por ocasião do Festival de Música Antiga de Lanvellec | Vídeo : Mezzo TV.

Naufrágio do "Veronese" | Biblioteca Municipal Rocha Peixoto


Naufrágio do "Veronese" | Naufrágio do transatlântico "Veronese" perto da praia da Boa Nova, Leça da Palmeira, Matosinhos | 1.º Centenário, 16 Janeiro de 1913 - 16 de Janeiro de 2013 | Mostra documental na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, Póvoa de Varzim, de 16 a 31 de Janeiro.





O NAUFRÁGIO DO "VERONESE" | Cinemateca Digital | Companhia produtora: Invicta Film [1917-1931] | Portugal, 1913 | Género: documentário | Duração: 00:05:24, 16 fps | Formato: 35 mm, cor, sem som | Proporção de tela [AR, aspect ratio]: 1:1,33 | URL: http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=2637&type=Video

10 janeiro 2013

Cantares dos Búzios | Afonso Lopes Vieira




Ai ondas do mar, ai ondas,
ó jardins das alvas flores,
sobre vós, ondas, ai ondas,
suspiram os meus amores.

No fundo dos búzios canta
o mar que chora a cantar
ó mar que choras cantando,
eu canto e estou a chorar!

Ai ondas do mar, ai ondas,
eu bem vos quero lembrar:
«a minha alma é só de Deus
e o meu corpo da água do mar!»



Varazim Teatro | Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente | Auditório Municipal da Póvoa de Varzim, 19 de Janeiro de 2013 |  Encenação e interpretação Eduardo Faria, Joana Soares | Música original Paulo Lemos | Cenário e figurinos Joana Soares |  blogs.varazimteatro.org

Nota: de 14 a 18 de Janeiro serão apresentadas duas sessões diárias para grupos escolares, se é professor e se tem interesse em levar os seus alunos, contacte-nos através dos telefones 916439009 ou 912420129, ainda há alguns horários disponíveis.

Representado pela primeira vez em 1517, esta obra, paradigmática do pai do Teatro em Portugal, retrata através de um desfile de personagens-tipo, a sociedade do século XVI, com questões que ainda são de grande pertinência nos dias de hoje.
As personagens apresentam-se diante de duas figuras alegóricas o Anjo e o Diabo, cada um comandando a sua barca, a da Glória e a do Inferno. Os personagens esforçam-se para provar que merecem embarcar na barca do anjo, mas só alguns conseguem a dita salvação.
A corrupção, a mentira, a arrogância, a prepotência, a ganância e a avareza, por exemplo, são postas à prova na frente do espetador, que também exerce o papel de juiz. Exaltando virtudes como a simplicidade, a honestidade e a fé. A obra foi encenada através dos tempos e tem valor universal.
Mantendo a estrutura do Auto e adaptando-o para uma linguagem atual, o Varazim Teatro propõe um espetáculo em que o jogo dramático é realizado a partir da interação com o público. Pelo espetáculo passarão os personagens, com os seus objectos simbólicos e com as suas características bem marcadas. Prometendo diversão, aliada à aprendizagem e contacto com a obra deste grandioso autor português.
Ficha Técnica: produção: Varazim Teatro, encenação e interpretação: Eduardo Faria e Joana Soares, música original: Paulo Lemos, cenário e figurinos: Joana Soares, vozes: Joana de Sousa, Lídia Almeida, coro dos cavaleiros: António Rebelo, Estêvão Calado, José Luís Sepúlveda, José Maria Carneiro, Maurício Carvalho, desenho de luz: Eduardo Faria
Bilheteira uma hora antes, no local do espetáculo, 5,00€ Inteiros, 3,75€ c/ desconto (estudantes, menores de 25 anos, reformados, maiores de 65 anos, desempregados, pessoas portadoras de deficiência, grupos de mais de 8 pessoas), 2,50€ sócios do Varazim teatro
Mais informações ou reservas através dos telefones 916439009, 912420129 ou vt@varazimteatro.org

03 janeiro 2013

A Nau Catrineta


Lá vem a nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.
Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não puderam tragar.
Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.
 «Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal.»
 «Não vejo terras d'Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.»
 «Acima, acima, gajeiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal.»
 «Alvíssaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terra de Espanha,
Areias de Portugal.
Mais enxergo três meninas
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar.»
 «Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.»
 «A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.»
 «Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar.»
 «Não quero o vosso dinheiro,
Pois vos custou a ganhar.»
 «Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.»
 «Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar.»
 «Dar-te-ei a nau Catrineta,
Para nela navegar.»
 «Não quero a nau Catrineta,
Que a não sei governar.»
 «Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíssaras te hei-de dar?»
 «Capitão, quero a tua alma
Para comigo a levar.»
 «Renego de ti, demónio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar.»

Tomou-o um anjo nos braços,
Não o deixou afogar.
Deu um estouro o demónio,
Acalmaram vento e mar;
E à noite a nau Catrineta
Estava em terra a varar.

Romance tradicional português
Versão recolhida por Almeida Garrett


13 dezembro 2012

O Milagre de Natal de Jonathan Toomey | Susan Wojciechowski


O Milagre de Natal de Jonathan Toomey | Leitura do conto «O Milagre de Natal de Jonathan Toomey», de Susan Wojciechowski, por Abílio Santos e Teresa Brandão, esta manhã, na Biblioteca Escolar / Centro de Recursos Educativos da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Carlos Pinto Ferreira - Junqueira, Vila do Conde.

Leituras | Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens




Leituras | Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens | Lê Abílio Santos

[...] Para entreter curiosidades, o velho Alfredo oferecia livros ao menino e convencia-o de que ler seria fundamental para a saúde. Ensinava-lhe que era uma pena a falta de leitura não se converter numa doença, algo como um mal que pusesse os preguiçosos a morrer. Imaginava que um não leitor ia ao médico e o médico o observava e dizia: você tem o colesterol a matá-lo, se continuar assim não se salva. E o médico perguntava: tem abusado dos fritos, dos ovos, você tem lido o suficiente. O paciente respondia: não, senhor doutor, há quase um ano que não leio um livro, não gosto muito e dá-me preguiça. Então, o médico acrescentava: ah, fique pois sabendo que você ou lê urgentemente um bom romance, ou então vemo-nos no seu funeral dentro de poucas semanas. O caixão fechava-se como um livro. O Camilo ria-se. Perguntava o que era o colesterol, e o velho Alfredo dizia-lhe ser uma coisa de adulto que o esperaria se não lesse livros e ficasse burro. Por causa disso, quando lia, o pequeno Camilo sentia-se a tomar conta do corpo, como a limpar-se de coisas abstractas que o poderiam abater muito concretamente. Quando percebeu o jogo, o Camilo disse ao avô que havia de se notar na casa, a quem não lesse livros caía-lhe o tecto em cima de podre. O velho Alfredo riu-se muito e respondeu: um bom livro, tem de ser um bom livro. Um bom livro em favor de um corpo sem problemas de colesterol e de uma casa com o tecto seguro. Parecia uma ideia com muita justiça. [...]

O Milagre de Natal de Jonathan Toomey | Susan Wojciechowski










O Milagre de Natal de Jonathan Toomey | Leitura do conto "O Milagre de Natal de Jonathan Toomey" de Susan Wojciechowski  por Abílio Santos e Teresa Brandão, esta manhã, na Biblioteca Escolar/ Centro de Recursos Educativos da Escola EB 2,3 Dr Carlos Pinto Ferreira - Junqueira, Vila do Conde 

7 Presépios


7 Presépios | Escola EB 2,3 Dr Carlos Pinto Ferreira - Junqueira, Vila do Conde