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02 maio 2013

Espuma | Afonso Lopes Vieira



Mais leve que a pluma
que no ar balança,
pela praia dança
a ligeira espuma.
Dançando se afaga
no alado bailar!
Pétalas da vaga,
poeira do mar…

Espuma de neve,
ergue-a num momento
a curiosa e leve,
vaga mão do vento.
Mas o vento, achando
que da mão lhe escorre,
com ela brincando
pela praia corre…

Eis se ergue e dissolve,
coisa láctea e pura,
onde o luar se envolve
na fervente alvura.
Espuma levada
das águas ao rés,
renda evaporada,
jóia das marés!

Mais leve que a pluma
que no ar ondeia,
pela fina areia
baila, aérea, a espuma.

E na dança etérea,
que implacável ronda!
Bafo da matéria,
penugem da onda…

Afonso Lopes Vieira
[Portugal, 1878 - 1946]


18 abril 2013

Lusitânia no Bairro Latino | António Nobre



2

Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das naus, de esquadras e de frotas!

Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera de maré,
Que não tarda aí, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-a com toda a forca,
Clamam todas à uma: «Agôra! agôra! agôra!»
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar…)
Que vista admirável! Que lindo! que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento e todas, à porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:

Senhora Nagonia!

Olha, acolá!
Que linda vai com seu erro de ortografia…
Quem me dera ir lá!

Senhora Daguarda!

(Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda
O caçador!

Senhora d'ajuda!
Ora pro nobis!
Caluda!
Semos probes!
Senhor dos ramos
Istrella do mar!
Cá bamos.

Parecem Nossa Senhora, a andar.

Senhora da Luz!

Parece o Farol…

Maim de Jesus!

É tal-qual ela, se lhe dá o Sol!

Senhor dos Passos!
Sinhora da Ora!

Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços
Parecem ermidas caiadas por fora…

Senhor dos Navegantes!
Senhor de Matuzinhos!

Os mestres ainda são os mesmos d’antes:
Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,
A mailos quatro filhinhos,
Vascos da Gama, que andam a ensaiar…

Senhora dos aflitos!
Martyr São Sebastião!
Ouvi os nossos gritos!
Deus nos leve pela mão!
Bamos em paz!

Ó lanchas, Deus vos leve pela mão!
Ide em paz!
Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados,
O Jeques, o Pardal, na Nam te perdes,
E das vagas, aos ritmos cadenciados,
As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes,
«As armas e os varões assinalados…»

Lá sai a derradeira!
Ainda agarra as que vão na dianteira…
Como ela corre! com que força o Vento a impele:

Bamos com Deus!
Lanchas, ide com Deus! ide e voltai com Ele
Por esse mar de Cristo…

Adeus! adeus! adeus!


11 abril 2013

Os Navegadores | Sophia de Mello Breyner Andresen




Eles habitam entre um mastro e o vento.

Têm as mãos brancas de sal
E os ombros vermelhos de sol.

Os espantados peixes se aproximam
Com olhos de gelatina.

O mar manda florir seus roseirais de espuma.

No oceano infinito
Estão detidos num barco
E o barco tem um destino
Que os astros altos indicam.



04 abril 2013

Mar | Sophia de Mello Breyner Andresen


De novo o som o ressoar o mar
De novo o embalo do tumulto mais antigo
E a inteireza do instante primitivo

De novo o canto o murmurar o mar
Que se repete intacto e sacral
De novo o limpo e nu clamor primordial


24 março 2013

Semana da Leitura | Maresia



Maresia : brevíssima antologia do mar em poesia e em prosa | Uma co-produção da Biblioteca Escolar / Centro de Recursos Educativos, do Departamento Curricular de Línguas e do Departamento Curricular de Expressões da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira, concebida para assinalar a Semana da Leitura e distribuída em suporte de papel a toda a comunidade desta escola entre os dias 11 e 15 de Março de 2013.

Como obter um exemplar de Maresia?

1 | Descarregar o ficheiro.

2 | Imprimir as páginas pares nas costas das ímpares [1|2, 3|4, 5|6, 7|8 e 9|10].

3 | Uma vez impressas, as folhas devem ser dobradas longitudinalmente a meio e ordenadas para formar um caderno que terá: como capa, o rosto da antologia com a ilustração; como títulos de topo de página, os seguintes, por esta ordem - «Mar Português», «Espuma», «Os Navegadores», «Lusitânia», «A Nau Catrineta», «O Arquipélago das Sereias», «Horizonte», «Romance de Vila do Conde», «Lusitânia no Bairro Latino» [que entra pela página seguinte], «Sedia-m'eu na ermida de Sam Simion», «Odisseia», «Haiku», «A morte da água», «Barco no rio», «Onda a onda», «The Old Man and the Sea» e «O Homem e o Mar».

Boa leitura!





15 março 2013

A roupa do marinheiro | Vai de Roda e Uxía




Vai de Roda e Uxía | A roupa do marinheiro | Canção tradicional do Minho extraída do álbum «Polas Ondas» [1996] | Uxía - voz; Tentúgal - low-whistle, ponteira e percussões; Eduardo Coelho - guitarra portuguesa; Sérgio Ferreira - violino; Jorge Lira - gaita de foles; Cristina Martins - sintetizadores; Helena Soares - acordeão; Abílio Santos - viola braguesa.



A roupa do marinheiro

Não é lavada no rio,

É lavada no mar alto

À sombrinha do navio.


À sombrinha do navio,

À sombrinha do vapor,

Vai-te embora, marinheiro,

Que eu não sou o teu amor.


Que eu não sou o teu amor,

Que eu não sou o teu amor,

Que eu não como a figueira

Que dá fruto sem «felor».




14 março 2013

Semana da Leitura | Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira


Semana da Leitura, 11 - 15 Março de 2013 | Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira - Junqueira, Vila do Conde




Romance de Vila do Conde | José Régio



[…]
Vila do Conde espraiada
Entre pinhais, rio e mar!
— Lembra-me Vila do Conde,
Mais nada posso lembrar.

Bom cheirinho dos pinheiros…,
Sei de um que quase te vale:
É o cheiro da maresia,
— Sargaços, névoas e sal —
A que cheira toda a vila
Nas manhãs de temporal.
Ai mar de Vila do Conde,
Ai mar dos mares, meu mar!,
Se me não vens cá buscar,
Nenhum remédio me vale,
Nenhum remédio me vale,
Nem chega a remediar…

Abria, de manhãzinha,
As vidraças par em par.
Entrava o mar no meu quarto
Só pelo cheiro do ar.
Ia à praia, e via a espuma
Rolando pelo areal,
Espuma verde e amarela
Da noite de temporal!
Empurrada pelo vento,
Que em sonhos ouço ventar,
Ia à praia e via a espuma
Pelo areal a rolar…

Espuma verde e amarela
Das noites de temporal,
Quem te viu como eu te via,
Se te pudera olvidar!
E ai não me posso curar,
Nenhum remédio me vale,
Se te não tenho nos braços,
Se te não posso beijar…

Vila do Conde espraiada
Entre pinhais, rio e mar…
— Lembra-me Vila do Conde,
Passo a tarde a divagar…
[…]



07 março 2013

Semana da Leitura | Maresia


Maresia : brevíssima antologia do mar em poesia e em prosa | Semana da Leitura 2013 | Uma co-produção da Biblioteca Escolar / Centro de Recursos Educativos, do Departamento Curricular de Línguas e do Departamento Curricular de Expressões da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr Carlos Pinto Ferreira para a Semana da Leitura, 11 – 15 de Março de 2013